Wednesday, April 11, 2007

 

Boletim da República on CGV




 

 

Tuesday, December 26, 2006

 

Como vencer um adversário sem precisar ter razão

O título pode ser "A arte de ter sempre razão" (Portugal, editora Frenesi) ou pode ser "Como vencer um debate sem precisar ter razão" (Brasil, editora TopBooks).
Um pequeno texto de Arthur Schopenhauer, inacabado, escrito provavelmente em 1830, com 38 estratagemas de como praticar a malandrice intelectual e vencer um adversário. Não importa a verdade, mas a vitória, o prazer carnívoro, sofístico da vitória.
Do género: "Um modo prático de afastar ou de pelo menos colocar sob suspeita uma afirmação do adversário que nos é contrária é submetê-la a uma categoria odiada, ainda que a relação entre elas seja a de uma vaga semelhança ou de total incoerência."
E tantos outros géneros, garanto-vos! Vocês convenceram-se de que sois sábios mas quereis aparentar humildade? Digam que nada sabem, escrevam montes de coisas como se escrevessem para leigos. O adversário é rijo? Faça-no enfurecer e perder as estribeiras. Sentem que o adversário é intelectualmente bom? Digam-lhe que não compreenderam o que ele escreveu. O adversário mete medo? Escrevam algo incompreensível, alardeando uma profundidade esotérica, que ninguém vai compreender. E por aí fora.

Saturday, April 15, 2006

 

Discriminação e discriminação!

Editorial

[06-04-2005]

Na sequência do nosso último editorial, recebemos diversas reacções, umas positivas saudando o que estava escrito, outras negativas afirmando que o editorial estava a ser injusto para com moçambicanos de cor não negra, pois os punha numa situação em que poderiam ser confundidos com estrangeiros, apenas por não possuírem pele negra.

Por causa dessas reacções, decidimos voltar ao assunto, pois o mesmo nos parece candente e de actualidade.
De facto, o tema “discriminação” merece e precisa de uma abordagem holística e profunda.

Quando falamos de discriminação de moçambicanos estamos a dizer que estamos contra ela, quer seja praticada por estrangeiros contra moçambicanos, quer seja praticada por moçambicanos contra moçambicanos, quer ainda seja praticada por autoridades contra cidadãos. Estamos contra a discriminação quer seja praticada por brancos, quer por negros, quer por indianos, ou por mulatos.

Alguns disseram-nos que não deveriamos ter ficado indignados com as “estrelas da noite”do dia 12 de Março porque aquelas “estrelas” são, na sua maioria, moçambicanas e se foram “estrelas”é porque são competentes.

Não temos nada que duvidar da sua competência nem da sua nacionalidade. Questionamos, sim, os critérios utilizados, os quais fazem com que a competência no Standard Bank seja monopólio de pessoas de determinada raça quando no mesmo banco labutam, lado a lado, várias raças.
Disseram-nos que em vez de “desencorajar” jovens moçambicanos de talento bancário, que sobressairam na noite do dia 12 de Março, deveriamos estar concentrados a atacar a discriminação que é praticada por estrangeiros contra técnicos moçambicanos, independentemente, da sua cor.

Nós optamos por atacar a todos os que praticam discriminação, sejam eles estrangeiros, sejam eles nacionais porque o que está em causa nem é a cor nem a nacionalidade do “discriminador”, o que está em causa é o fenómeno discriminação, que é implicitamente utilizado como um processo social de capacitação e “empoderamento” de um determinado segmento social em detrimento doutros segmentos do mesmo País.

Se expusermos todos os trabalhadores de um banco às mesmas oportunidades profissionais e sociais o resultado disso é que teremos bons quadros de todas as raças dentro desse banco.

Se excluirmos um segmento e fixarmos a nossa atenção numa determinada raça o resultado é que teremos essa raça mais bem apetrechada devido às oportunidades oferecidas.

Se partirmos do princípio de que dentro de uma instituição as “estrelas”têm que ter determinadas características raciais, então, estamos a retroceder 100 anos para reeditar processos já ultrapassados das raças puras, das raças mais inteligentes, cujas consequências foram as guerras mundiais que dizimaram milhões de seres humanos neste planeta.

Se nos quisermos basear na teoria de que cidadãos de uma determinada raça entendem melhor uma profissão que os doutras raças estamos a retroceder uns trinta anos da nossa História quando, a real falta de quadros constituiu uma oportunidade para a discriminação de toda a sorte, até racial, com argumentos tais como “aqueles já tiveram uma certa vivência mesmo no tempo colonial por isso entendem mais rapidamente a Revolução”, ou como disse mais recentemente um conhecido professor universitário moçambicano, infelizmente já falecido, “os jovens de raça branca ou indiana entendem melhor o Direito Comercial do que os jovens negros porque os primeiros já possuem, historicamente, uma certa vivência com as matérias tratadas no Direito Comercial”!

Por outro lado, quando questionamos os critérios utilizados pelo banco para a selecção das “estrelas” não estamos a pôr em causa as “estrelas” seleccionadas, pois elas não se auto-seleccionaram.

Estamos a pôr em causa a atitude discriminatória de um banco que não quer “pesquisar” mais estrelas em todos os segmentos raciais existentes dentro da instituição, contentando-se com o que fez, dando, assim, a entender que naquele banco só aquelas “estrelas” é que, de facto, têm competência.

É que há uma mania neste País, a de que quando se fala de sectores económico-financeiros o protagonismo pertence a uma determinada camada social mas quando vamos para outros sectores, igualmente, vitais para a vida da nação, tais como exército, polícia, enfermagem, docência primária e secundária as mesmas camadas minguam, como se não fossem mais moçambicanas.

É aqui onde entra a responsabilidade dos gestores do Estado, os quais não podem fingir que o que se passa é normal para a estabilidade e equilíbrio do País a médio e longo prazos.

O que se passa no País é anormal e deve ser corrigido quanto cedo para que amanhã não seja fonte de guerras fratricidas entre cidadãos da mesma nação.

Sem prejuízo de acções profilácticas de implementação imediata, a via mais segura para a correcção desse mal, a longo prazo, é o governo agir sabiamente no apoio e incentivo às camadas mais desfavorecidas da sociedade para seguirem determinadas vocações estratégicas para o futuro do País.

Para isso, um sistema nacional de bolsas de estudo para determinadas áreas científicas e/ou de gestão deveria figurar nas prioridades estratégicas do novo executivo.

Não podemos continuar a ficar assustados com as consequências. É altura de atacarmos as causas e para isso este País tem governo e tem quadros suficientes para diagnosticar as causas e apontar caminhos que levem às soluções.

Enquanto isso, não vamos aceitar que, a pretexto de teorias de comprovação duvidosa, nos discriminem na nossa própria terra!
Jamais nos calaremos perante actos aviltantes de discriminação, venham eles do capital estrangeiro, venham do capital nacional, ou dos dois ao mesmo tempo.

Salomão Moyana

 

Chega de discriminar moçambicanos!

Editorial

[30-03-2005]
Em Moçambique, a discriminação, de vária ordem, contra os moçambicanos está na moda. Aqui, no jornal, estamos cheios de exemplos que os cidadãos nos vêm contar todos os dias da mais pura discriminacão, não só racial mas, em muitos casos, nacional.

Isto é, ser discrimninado não porque se é negro ou branco mas ser discriminado porque se é moçambicano.
O pior disso tudo é que, como nos dizia um jurista de renome na praça, a Constituição da República de Moçambique proíbe qualquer tipo de discriminação, quer negativa, quer positiva (afirmative action).

Por causa dessa proibição constitucional, acrescentava o mencionado jurista, “racista passará a ser não quem pratique o racismo no seu dia a dia, e das mais diversas formas, mas quem sobre ele fala e escreve”.

Assim, o presente editorial do ZAMBEZE corre o risco de ser catalogado de racista e até xenófobo, já que é mais fácil ver racistas e xenófobos na escrita do que nas acções quotidianas que cada indivíduo, instituição ou sector pratica.

Esta semana, tivemos conhecimento de que a ministra do Trabalho, Helena Taipo, formou uma comissão e mandatou-a para ir investigar cenas de discriminação alegadamente praticados no Banco Austral. Não sabemos se tal acto resulta de uma denúncia ou da suspeita da ministra de que ali existem actos discrimantórios contra trabalhadores nacionais.

Se isso resulta de uma simples suspeita, gostariamos de encorajar a ministra a suspeitar em mais bancos e em mais isntituições de investimento estrangeiro sem que isso se traduza na perseguição ao bem-vindo investimento estrangeiro a Moçambique.

Todos nós precisamos de investimento estrangeiro em Moçambique, mas exigimos que tal investimento não se traduza na humilhação e coisificação da nossa dignidade e personalidade como moçambicanos que somos.

No passado dia 12 de Março, o nosso jornal sentiu na carne a humilhação e coisificação de todo um povo quando numa pomposa cerimónia realizada numa das casas de pasto da capital, o Standard Bank homenageou aquilo que chamou das suas “estrelas” daquela noite, tendo nos mostrado os senhores Abdul Mussá Ayob Rentula, Abdul Vahid Abdul Razac, Amiro Issufo Baguandás, Camaria Ismael Chutumiá, Fausio Mussá, Kenrick Wayne Cockerill, Muktar Momade Abdulacarimo e Odília Alice D. Magaia Roberts.

De realçar que, em termos moçambicanos, a Senhora Odília era a única estrela negra daquela noite numa cerimónia de um banco a operar em Moçambique desde 1894, portanto, há precisamente 111 anos de convivência com gente negra deste País.

Na mesma cerimónia, o Zimbabwe e o Malawi também apresentaram as suas estrelas da noite, tendo sobressaido cidadãos nacionais daqueles países, o que nos envergonhou ainda mais na nossa própria terra.

Aliás, o Standard Bank é servido por cerca de 400 trabalhadores, na sua maioria negros qualificados, experientes e com diplomas universitários iguais aos das estrelas ali exibidas.

Mas, o problema deste banco não reside apenas na exibição de estrelas alheias aos moçambicanos. O problema é muito mais profundo e prende-se com a filosofia e o posicionamento da instituição neste território. Também prende-se com a apatia do nosso Banco Central sobre como devem estar estruturadas e a funcionar, aqui neste País, as instituições de crédito estrangeiras.

Por exemplo, o Standard Bank, apesar de estar aqui há 111 anos não possui em território nacional o seu Conselho de Administração. Esse funciona fora do País.

O que possui em Moçambique é uma Comissão Executiva totalmente preenchida por cidadãos estrangeiros, como se segue: Carlos Antolin Ramalho, Administrador-delegado, português natural de Lisboa; Anton Marais, vice-administrador delegado, sul-africano de origem afrikaner; António Caroto Coutinho, sul-africano de origem portuguesa; Olinto José Mota e Silva, português natural de Angola; Artur Nobre, português natural de Angola; François Fourier, sul-africano de oriegm afrikaner e Michelle Guerreiro, sul-africana.

Como se esta composição fosse pouca, temos a edição do jornal Expresso, de Portugal, do dia 3 de Março corrente, a trazer um anúncio do mesmo Standard Bank convidando quadros com o nível de bacharelato, licenciatura e mestrado para vir para Moçambique trabalhar nesta instituiçãqo de crédito.

O anúncio está no jornal de Portugal. Por falta de quê em Moçambique? Por falta de licenciados? Por falta de bacharéis? Por falta de mestres? Ou porque não interessa o bacharel, licenciado ou mestrado de Moçambique?

Perante isto nós não nos podemos calar, mesmo que nos queiram chamar de racistas. Mas, racistas não somos e nunca fomos. Moçambicanos, sim, somos e seremos até ao fim da nossa vida.

Não temos projectos de mudar de nacionalidade, nem da terra que nos viu nascer. Temos projectos de vivermos condignamente na nossa própria terra, acolhendo os nossos amigos e parceiros que nos vêm ajudar a combater a pobreza mas sem nos humilhar nem nos empobrecer mais, como pretendem alguns.

Doutros bancos, temos também queixas clamorosas, sobretudo do BIM. Mas isso fica para uma próxima oportunidade.

A nossa pergunta essencial é: De que forma é que estamos nós organizados, neste País, para garantirmos o protagonismo dos moçambicanos em todas as esferas da vida económica, social e cultural?

Está mais que evidente o protagonismo político dos moçambicanos. Mas, de que é que vale tal protagonismo político se nos sectores-chave da vida do País o mesmo moçambicano é eternamente subalternizado? Subalternizado não por falta de qualificações, nem habilitações, nem habilidades e, muito menos, capacidades. Subalternizado por uma atitude político-institucional implícita na organização e estruturação desses sectores-chave.

Onde estão as armas jurídicas e institucionais de que se pode valer o moçambicano para inverter a vergonhosa humilhação que todos os dias assistimos, impotentes, neste nosso País?

O extremo de Standard Bank é apenas um exemplo dentre vários que pululam neste País.
O combate contra o “deixa-andar” não deve ser confundido com um processo de humilhação dos moçambicanos. O combate contra o “deixa-andar” deve ser combinado com o combate contra a discriminação negativa dos moçambicanos, encorajando-os a serem protagonistas do seu destino dentro do seu próprio País.

Demais já era a constante humilhação que os moçambicanos sofrem nos países estrangeiros. Agora, na sua própria terra também?!

Por favor, isto não pode continuar assim!
Nos recusamos a voltar a assistir eventos como a vergonha do Standard Bank no passado dia 12 de Março, pelo menos aqui, neste País!

E a ministra do Trabalho não pode ser deixada sozinha a combater os males que são tolerados por outras instituições nacionais. Deve haver um posicionamento institucional claro de todo o governo moçambicano contra práticas anti-nacionais em todos os sectores de actividade.

Só assim é que valerá a pena ser moçambicano. Só assim é que terá sentido e utilidade todo o investimento estrangeiro no País.

Salomão Moyana

Fonte: zambeze

Friday, April 14, 2006

 

CNE continua a ser politizada

(Maputo) Numa reunião entre Afonso Dhlakama e deputados da bancada Renamo-UE e outros militantes do seu partido ontem à tarde determinou-se como proposta para a Revisão da Lei Eleitoral, o conceito de paridade na Comissão Nacional de Eleições, ou seja, números de elementos iguais entre a Frelimo e a Renamo.

Alfredo Gamito, presidente da Comissão de Revisão da Lei e deputado da Frelimo refere que o seu partido não aceita essa posição e defende o conceito da proporção parlamentar para vigorar também ao constituir-se a Comissão Nacional de Eleições (CNE). Gamito alega que no próprio regimento da AR se determina que para se compor órgãos do Estado deve-se obedecer à proporcionalidade.

Quanto aos números das últimas propostas no seio da Comissão de Revisão da Lei Eleitoral da AR, hoje, ficou-se no seguinte: o partido Frelimo propõe 15 elementos, dos quais 8 indicados pela (AR) e os restantes 7 da sociedade civil. Dos tais 8, a Frelimo quer que 5 sejam indicados por si e os restantes 3 pela Renamo-UE.

Enquanto isso, a Renamo propõe 17 ao todo, dos quais 16 a indicar pelo parlamento e 1 pela sociedade civil. Dos 16 a indicar pelo Parlamento 8 caberia à Frelimo escolhê-los e os restantes 8 caberia à Renamo-UE indicá-los.

Dhlakama refere que sem o princípio de paridade não adianta haver eleições porque o contrário significaria que a participação da oposição na CNE é apenas para legitimar o que está planeado: fraude.

Entretanto, o cenário de impasse mantém-se. Há sectores da sociedade civil a propôr a escolha de membros para CNE por concurso público. Outros sugerem que esse pode ser um bom caminho para se acabar com a hegemonia da Frelimo no órgão que afinal tem acabado por decidir as eleições. Outros ainda alegam que a proporcionalidade não faz sentido por se tratar de um quadro que diz respeito às eleições gerais precedentes e que pode estar profundamente alterado quando se fala em novas eleições. Propõe-se mais: que o presidente da República cesse funções e seja substituído por impedimento pelo presidente da Assembleia da República (AR) na véspera da abertura da campanha eleitoral, e citam o caso de Cabo Verde como um bom exemplo.

Esta matéria vai concerteza conhecer novos desenvolvimentos. O impasse já dura há meses. A população não quer saber do tema para nada e afirma que não vale a pena votar por causa destas trapalhadas que evidenciam claramente que o partido Frelimo não respeita a Democracia e certa comunidade internacional também não está preocupada em condenar este quadro por já estar servida pelos contextos de negócio em curso.

Fonte: Canal de Mocambique, 2006-04-14 00:31:00

Thursday, December 22, 2005

 

macua

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